A sociabilização é um dos períodos de desenvolvimento do cachorro que, à semelhança dos outros, tem um princípio e um fim. Este período de desenvolvimento começa entre as três ou quatro semanas de idade e acaba entre os quatro a seis meses, dependendo da raça e / ou indivíduo.

 

 

Tabela de períodos de desenvolvimento do cachorro

 

Período


Início


Comportamento


Neonatal

 

Nascimento - 14 dias

 

Dorme 90% do tempo, rasteja, mama, procura contacto corpóreo, endireitamento, estimulação anal necessária.

 

Transição

 

15 - 21 dias

(até 3 semanas)

 

Olhos abertos, primeiros dentes, apoio sobre as 4 patas, primeiros passos. Lambe líquidos, defeca sozinho, mama de pé ou sentado.

 

Socialização I

 

3 - 4 semanas

 

Ouve, vê, olfacto aprimora-se. Ingestão de alimentos sólidos. Abana cauda, brinca, morde irmãos.

 

Socialização II

 

5 - 7 semanas

 

Mímica facial, curiosidade, exploração, actividades grupais e jogos sexuais. Início do estabelecimento da ordem de dominância.

 

Socialização III

 

7 - 8 semanas

 

Desenvolvimento pleno da capacidade auditiva e visual. Investiga tudo. Medo de ruídos súbitos, fortes, objectos em movimento. Cautela em relação aos objectos, animais e pessoas estranhas.

 

Socialização IV

 

9 - 12 semanas

 

Desenvolvimento de comportamentos nítidos de dominância e subordinação. Aprendizagem de Habilidades motoras. Atenção curta.

 

Juvenil

 

3 - 6 meses

 

Retraimento. Brincadeiras com vocalização.

 

Adolescente

 

6 meses

 

Início da puberdade

 


 

Quando pensamos na sociabilização, as duas ideias que nos vem à cabeça são: brincar e ser sociável com outros cães; brincar e ser sociável com pessoas. Mas a sociabilização não passa só por ensinar o cachorro a ser sociável; passa também por habituá-lo a um leque muito largo de situações, para que ele desenvolva um temperamento equilibrado. Isto porquê? Porque a sociabilização está directamente associada ao desenvolvimento de padrões de comportamento social, e aprendizagem sobre o meio ambiente. Muito do que é aprendido durante a sociabilização dura para sempre, e é o alicerce de muitos padrões de comportamento do cão adulto. Uma má sociabilização dá origem a muitos problemas de comportamento.


 


 

Antes de falar da importância da sociabilização, vejamos concretamente o que é que o cachorro aprende durante este período de desenvolvimento: aversões, afinidades sociais, padrões de comportamento agonístico passivo e activo, estrutura social, reacções à separação e outras situações que afectam emoções, padrões de aproximação e distanciamento, desenvolvimento de relações de dominância e submissão, padrões de comportamento exploratório, poder de recuperação, capacidade de resolução de problemas. Tomando em consideração toda esta aprendizagem, é fácil chegar à conclusão que um cachorro nunca é sociabilizado demais. Infelizmente, muitas vezes o que acontece é precisamente o contrário – é sociabilizado de menos!




 SOCIABILIZAÇÃO COM OUTROS CÃES


        


    Os cachorros solicitam a atenção da mãe através de vocalização, patadas, seguindo-a, saltando para ela, e lambendo o seu focinho. Ao mesmo tempo, a mãe começa a transformar a relação de dependência do cachorro numa de dominância / submissão. Fá-lo através de se afastar, dentadas inibidas, patadas, e rosnar. É assim que o cachorro aprende a manifestar submissão. Esta lição é muito importante para o cachorro desenvolver a sua capacidade de comunicação com cães estranhos. Durante a brincadeira com os irmãos, o cachorro aprende a criar laços de afinidade com eles, aprende a inibir a dentada, aprende a comunicar, e aprende comportamentos de cooperação. Mas como, regra geral, o cachorro deixa a sua família canina por volta das oito semanas de idade para se juntar à sua família humana, tudo o que aprendeu com a mãe e irmãos deve ser perpetuado através da exposição a cães estranhos. Se não o fizermos, corremos o risco do cachorro se transformar num adulto que evita outros cães, tendo meios de comunicação deficientes. Tornando-se agressivo quando vê os outros, pelo devido a não saber ler a linguagem corporal dos outros cães, e por desconhecer uma abordagem adequada de aproximação.

Na psicologia do cão adulto não sociabilizado com os outros cães, quando o dono o leva a passear, o cão irá marcar o território com urinadelas, a fim de transmitir e deixar bem claro aos outros que é o chefe daquele espaço, tentando de uma forma indirecta afastar possíveis invasores. Quando se cruza com outros cães, poderá ter atitudes defensivas ou ofensivas, pois não sabe as intenções do desconhecido canino, selando instintivamente pela sua “matilha humana” e sua sobrevivência.

 Portanto o melhor é começar desde cedo um processo de sociabilização enquanto cachorro, logo após as oito semanas e o programa de vacinação e desparasitação estar completo.




SOCIABILIZAÇÃO COM PESSOAS



      


      Como o cachorro se vai integrar numa cultura que não faz parte da sua, o contacto físico com pessoas é extremamente importante desde o início. Quando falo em início, refiro-me aos primeiros dois ou três dias de vida. Esta tarefa compete ao criador. O ideal é não ser só o criador mas também membros da família e amigos a manusearem o cachorro. Brincar com o cachorro, assim como o contacto físico, são factores importantes no desenvolvimento de laços afectivos entre as duas espécies. Por mais competente que o criador seja neste aspecto, compete ao dono continuar a sociabilizar o cachorro. Como não sabemos até que ponto os cães generalizam, a exposição e contacto com pessoas deve incluir: bebés, crianças, adolescentes, adultos, pessoas de ambos os sexos, altos, baixos, magros, gordos, e por aí fora. A privação deste tipo de sociabilização pode resultar num cão que morde por medo, evita contacto com estranhos, é difícil de treinar, não se integra bem na sua família humana, torna-se territorial, sente-se ameaçado por estranhos, defende recursos que pensa serem dele.



  OUTROS FACTORES IMPORTANTES NA SOCIABILIZAÇÃO

           


 Como já foi mencionado, a capacidade de resolução de problemas, a capacidade de recuperação e outros factores, também têm um papel muito importante na sociabilização. A lista que se segue é um exemplo de situações às quais o cachorro deve ser exposto para ajudar no desenvolvimento de um temperamento equilibrado, para além da sociabilização com outros cães e pessoas:

1 – Aspirador, televisão, rádio, máquina de lavar, carros, bicicletas, e tudo o que faz parte do quotidiano da cultura humana.

2 – Grande diversidade de sons, cheiros, estímulos visuais.

3 – Locais sossegados e locais barulhentos e movimentados.

Resumindo, todo o tipo de situações às quais o cachorro não foi exposto enquanto estava com a mãe e irmãos. Uma habituação deficiente a estas situações, pode causar várias fobias relacionadas com medo, pode resultar num cão que anda permanentemente stressado, o que pode levar a comportamentos compulsivos obsessivos.